
A 11ª edição da Classificação Internacional de Doenças (CID-11), elaborada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), trouxe mudanças importantes no diagnóstico dos Transtornos do Espectro Autista (TEA). Essas atualizações refletem avanços científicos e buscam tornar o diagnóstico mais claro, preciso e alinhado com a realidade clínica e social das pessoas autistas.
O que mudou no CID-11?
Unificação dos diagnósticos
Diferente do CID-10, que
separava condições como "autismo infantil", "síndrome de
Asperger" e "transtorno desintegrativo da infância", o CID-11
unificou todos esses quadros sob um único termo:
👉 6A02 – Transtorno do Espectro do Autismo
(TEA)
Com exceção da Síndrome de
Rett, que passa a ser classificada no código LD90.4 (WHO, 2018).
Dimensões em vez de categorias
fechadas
O diagnóstico agora considera
o autismo como um espectro, com diferentes níveis de funcionamento e suporte
necessário. Em vez de subtipos, o CID-11 foca nas características individuais e
na intensidade dos sintomas.
Dois domínios centrais de
sintomas
O diagnóstico baseia-se em
dois domínios principais:
Déficits persistentes na
comunicação social recíproca (por exemplo: dificuldade em
iniciar ou manter interações sociais, compreender regras sociais, uso da
linguagem não verbal);
Padrões restritos e
repetitivos de comportamento, interesses ou atividades,
incluindo inflexibilidade, rotina, hiperfoco e sensibilidades sensoriais.
Com ou sem deficiência
intelectual e/ou linguagem funcionalO CID-11 permite especificar
se o indivíduo possui:
Deficiência intelectual
associada;
Linguagem funcional ausente,
limitada ou preservada.
Essas informações ajudam a
personalizar o planejamento terapêutico e educacional.
Idade de manifestação
Os sintomas geralmente se
manifestam na primeira infância, mas podem não ser plenamente evidentes até que
as demandas sociais excedam as capacidades da criança, como no ambiente
escolar.
Importância do contexto
O CID-11 orienta que o
diagnóstico considere diversos contextos de vida da pessoa, observando como os
sintomas aparecem em casa, na escola, e em ambientes sociais.
Por que essas mudanças são
importantes?
Promovem uma visão mais
inclusiva e abrangente do autismo;
Reduzem o estigma de rótulos
antigos (como "síndrome de Asperger");
Facilitam o acesso a serviços
e suporte adequados;
Reforçam que o autismo não é
uma doença, mas uma condição do neurodesenvolvimento.
Conclusão
Com o CID-11, o diagnóstico do
autismo se torna mais fiel à diversidade do espectro, reconhecendo as múltiplas
formas de ser autista. Essa abordagem permite intervenções mais eficazes,
respeitosas e centradas na pessoa.É fundamental que profissionais da saúde,
educação e famílias estejam atualizados sobre essas diretrizes para garantir
uma escuta qualificada, inclusão real e promoção da qualidade de vida das
pessoas autistas.
6A02.0 – Transtorno do
Espectro do Autismo sem Transtorno do Desenvolvimento Intelectual e com leve ou
nenhum comprometimento da linguagem funcional.
6A02.1 – Transtorno do
Espectro do Autismo com Transtorno do Desenvolvimento Intelectual e com leve ou
nenhum comprometimento da linguagem funcional.
6A02.2 – Transtorno do
Espectro do Autismo sem Transtorno do Desenvolvimento Intelectual e com
linguagem funcional prejudicada.
6A02.3 – Transtorno do
Espectro do Autismo com Transtorno do Desenvolvimento Intelectual e linguagem
funcional prejudicada.
6A02.5 – Transtorno do
Espectro do Autismo com Transtorno do Desenvolvimento Intelectual e ausência de
linguagem funcional.
6A02.Y – Outro Transtorno do
Espectro do Autismo especificado
6A02.Z – Transtorno do
Espectro do Autismo, não especificado.
Jorgelita Alzira Vilas-Bôas Pedreira
Psicopedagoga e Neuropsicopedagoga
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