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O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é uma condição neurobiológica que afeta o desenvolvimento e funcionamento do cérebro, tendo como sintomas atividade motora excessiva, déficit de atenção e impulsividade. Uma das principais características do TDAH é a disfunção nas chamadas funções executivas. As funções executivas são um conjunto de habilidades cognitivas que nos permitem planejar, organizar, tomar decisões, controlar impulsos, regular emoções e manter o foco em tarefas. Elas funcionam como um “gerente” do cérebro, ajudando a coordenar pensamentos e ações para atingir metas. Pessoas com TDAH geralmente apresentam dificuldades significativas nessas funções, o que impacta diretamente seu desempenho acadêmico, profissional e social.
Entre as funções executivas mais afetadas no TDAH, destacam-se:
Controle inibitório: dificuldade para inibir impulsos e comportamentos inadequados.
Memória de trabalho: dificuldade para manter e manipular informações na mente por curtos períodos, como lembrar instruções ou seguir etapas de uma tarefa.
Planejamento e organização: dificuldade para criar estratégias, estabelecer prioridades e organizar materiais ou ideias.
Gerenciamento do tempo: dificuldade para perceber o tempo, estimar quanto falta para concluir uma tarefa ou cumprir prazos.
Flexibilidade cognitiva: dificuldade para mudar de estratégia ou adaptar-se a novas situações ou regras.
Essas limitações não decorrem de falta de inteligência ou de esforço, mas sim de diferenças no funcionamento cerebral, especialmente no córtex pré-frontal e nos circuitos que envolvem dopamina e noradrenalina. Isso significa que pessoas com TDAH podem saber o que precisam fazer, mas têm dificuldade de executar consistentemente essas ações no dia a dia.
Além disso, muitas pessoas com TDAH também apresentam alterações no processamento sensorial, ou seja, na forma como percebem e reagem a estímulos do ambiente — sons, cheiros, luzes, texturas ou movimentos. Essas alterações podem causar hiper-reatividade (respostas exageradas a estímulos sensoriais) ou hipo-reatividade (respostas diminuídas), afetando o comportamento, a autorregulação e o foco. Uma sala de aula barulhenta, por exemplo, pode ser extremamente desconfortável para uma criança com TDAH e sensibilidade auditiva. Esses desafios sensoriais podem aumentar a sobrecarga emocional e dificultar ainda mais o uso das funções executivas, exigindo adaptações no ambiente e intervenções integradas entre psicopedagogos, terapeutas ocupacionais e familiares.
Compreender essa relação é
essencial para oferecer apoio adequado a crianças, adolescentes e adultos com
TDAH. Estratégias como intervenções psicopedagógicas, uso de agendas visuais,
técnicas de organização, suporte emocional e, em alguns casos, medicação, podem
contribuir significativamente para o desenvolvimento das funções executivas e
para uma vida mais equilibrada e produtiva.
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